Assistente médico com IA: o que é, como funciona e como pode ajudar na rotina médica
Você atende. O Vokkari transcreve e documenta.
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Neste artigo
- O que é um assistente médico com IA?
- Por que médicas e médicos estão usando assistentes com IA?
- O que um assistente médico com IA pode fazer?
- Como funciona um assistente médico com IA?
- O que muda na prática para você
- O que muda para o(a) paciente
- Um assistente médico com IA pode substituir o(a) médico(a)?
- E a segurança dos dados?
- Preciso avisar o(a) paciente?
- O que procurar ao escolher um assistente médico com IA?
- E o Vokkari?
- O futuro do assistente médico não é substituir o(a) médico(a)
- Comece com as suas próprias consultas
- Referências
A inteligência artificial já deixou de ser uma novidade na medicina. Hoje, existem ferramentas capazes de auxiliar em diferentes etapas da rotina clínica, da pesquisa à documentação.
Uma das aplicações mais práticas é o assistente médico com IA: uma ferramenta que assume parte do trabalho administrativo e documental que acontece ao redor do atendimento, permitindo que o(a) médico(a) dedique mais atenção ao que acontece dentro da consulta.
Mas o termo pode significar coisas diferentes.
Um assistente médico com IA pode ajudar a organizar informações, automatizar tarefas administrativas, transcrever uma conversa ou preparar documentos. Algumas ferramentas vão além e oferecem recursos para outras etapas do atendimento.
Neste artigo, vamos explicar o que é um assistente médico com IA, como essa tecnologia funciona na prática, onde ela pode ajudar, o que muda para você e para o(a) paciente e quais cuidados devem ser observados antes de adotá-la no consultório.
O que é um assistente médico com IA?
Um assistente médico com IA é um sistema que utiliza inteligência artificial para apoiar o(a) profissional de saúde em tarefas que fazem parte da rotina clínica, mas que não necessariamente exigem a tomada de uma decisão médica.
Isso pode incluir tarefas como:
- transcrever a conversa entre médico(a) e paciente;
- organizar informações em uma evolução clínica;
- preparar rascunhos de documentos médicos;
- resumir informações já registradas;
- estruturar dados para diferentes modelos de prontuário;
- automatizar determinadas tarefas administrativas.
A tecnologia mais conhecida dentro dessa categoria é a transcrição de consulta com IA, também chamada internacionalmente de AI medical scribe ou ambient AI.
Nesse modelo, você não precisa ditar um prontuário depois da consulta.
Você conversa normalmente com o(a) paciente. A ferramenta registra a conversa, transforma o áudio em texto e organiza as informações relevantes de acordo com o modelo escolhido.
O resultado é um primeiro rascunho do registro clínico.
A diferença parece pequena, mas muda completamente o trabalho.
No ditado, você ainda precisa lembrar o que aconteceu e formular o texto.
Na transcrição com IA, a formulação começa a partir da própria conversa.
Quem faz o trabalho
- O que você faz
- DigitaçãoDigita durante ou depois da consulta
- DitadoFormula e dita o prontuário
- Transcrição com IAConversa normalmente com o(a) paciente
- O que a ferramenta faz
- DigitaçãoNada
- DitadoConverte voz em texto
- Transcrição com IATranscreve, organiza e prepara o registro
É essa última etapa que transformou os assistentes médicos com IA em uma das aplicações mais práticas da inteligência artificial na rotina clínica. O panorama completo dessa categoria, com os nomes que ela recebe e o que a evidência mostra, está em Transcrição de consultas médicas com IA: o guia completo.
Por que médicas e médicos estão usando assistentes com IA?
Existe um motivo simples: a consulta não termina quando o(a) paciente sai da sala.
Depois do atendimento, ainda é preciso registrar a evolução, organizar informações, preparar receitas, atestados, pedidos de exames, encaminhamentos e outros documentos.
Esse trabalho administrativo consome tempo justamente quando a agenda já terminou.
Em um estudo de tempo e movimento realizado em quatro especialidades, médicas e médicos dedicavam 49,2% do expediente ao prontuário eletrônico e ao trabalho de escritório, contra 27,0% ao contato direto com pacientes. O mesmo estudo encontrou mais uma a duas horas de trabalho por noite entre os profissionais que também registravam suas atividades fora do consultório (Sinsky et al., Annals of Internal Medicine, 2016). Esse trabalho depois da agenda tem nome: pajama time.
É esse trabalho invisível que ferramentas de documentação clínica com IA tentam reduzir, e a evidência mais recente aponta na mesma direção. Em um estudo com 144 médicas e médicos de um sistema de saúde norte-americano, escribas virtuais reduziram o tempo total no prontuário eletrônico, o tempo gasto com anotações e o trabalho fora do expediente (Rotenstein et al., JAMA Network Open, 2024).
No maior relato publicado até aqui, o The Permanente Medical Group implantou IA ambiente para 3.442 médicas e médicos, com redução do tempo de documentação nas dez semanas seguintes ao lançamento (Tierney et al., NEJM Catalyst, 2024). Um ano depois, a mesma equipe publicou o acompanhamento, com mais de 2,5 milhões de usos acumulados (Tierney et al., NEJM Catalyst, 2025).
A lógica é simples:
em vez de escrever depois da consulta, você revisa o que a IA preparou a partir da consulta.
Essa diferença também pode mudar a experiência do(a) paciente.
Quando o(a) médico(a) precisa alternar constantemente entre a conversa e a tela, parte da atenção fica dividida entre a pessoa e o prontuário. Quando a documentação acontece a partir da conversa, existe menos necessidade de interromper o contato visual para digitar.
A tecnologia não substitui a consulta.
Ela tira uma parte do trabalho que acontece ao redor dela.
O que um assistente médico com IA pode fazer?
As possibilidades dependem da ferramenta. Por isso, é importante não confundir a categoria inteira com uma única funcionalidade.
Para quem atende em consultório, porém, existem algumas aplicações particularmente relevantes.
1. Transcrever a consulta
É a aplicação mais conhecida.
A ferramenta captura a conversa entre médico(a) e paciente e transforma o áudio em texto.
Isso significa que você não precisa reconstruir a consulta algumas horas depois, tentando lembrar exatamente o que foi discutido.
A conversa já está registrada.
O papel da IA passa a ser transformar essa conversa em uma estrutura útil para o prontuário.
2. Organizar a evolução clínica
Uma transcrição bruta não é suficiente para um prontuário.
Por isso, as ferramentas mais completas não apenas convertem voz em texto: elas identificam as informações relevantes e organizam o conteúdo em seções clínicas.
Dependendo da especialidade e do modelo utilizado, isso pode incluir:
- queixa principal;
- história da doença atual;
- antecedentes;
- medicamentos;
- alergias;
- exame físico;
- hipóteses diagnósticas;
- avaliação;
- plano terapêutico;
- orientações;
- acompanhamento.
O ponto importante é que a estrutura deve acompanhar a forma como você trabalha.
Um registro de Cardiologia não precisa ter exatamente a mesma estrutura de um registro de Psiquiatria ou Ginecologia.
É por isso que modelos por especialidade e possibilidade de personalização fazem diferença.
3. Preparar documentos médicos
Uma consulta normalmente produz mais de um documento.
Além da evolução, podem existir:
- receita;
- atestado;
- solicitação de exames;
- encaminhamento;
- relatório;
- parecer;
- orientações ao(à) paciente.
Se a IA já possui o contexto da consulta, esses documentos podem ser preparados a partir da mesma gravação.
Você não precisa começar novamente do zero.
Mas existe uma regra importante:
todo documento produzido pela IA é um rascunho até ser revisado e assinado pelo(a) médico(a).
Uma receita com uma dosagem incorreta ou um atestado com uma informação errada não é apenas um erro de formatação. É um erro em um documento médico.
A automação economiza o trabalho de escrever.
A responsabilidade continua sendo sua.
4. Personalizar a documentação
Cada médico(a) tem uma maneira diferente de registrar uma consulta.
Há quem prefira evoluções curtas e objetivas, e há quem precise de registros mais detalhados. Algumas especialidades utilizam escalas específicas, enquanto outras dependem de seções que não fazem sentido em outras áreas.
Um bom assistente médico com IA deve se adaptar a essa realidade.
O objetivo não é fazer todo mundo documentar da mesma maneira.
É fazer com que a primeira versão produzida pela IA esteja o mais próximo possível daquilo que você escreveria.
Um teste simples ajuda a avaliar isso:
Quanto desse texto eu precisaria reescrever antes de colocar no prontuário?
Quanto menos você precisar corrigir, melhor o modelo está ajustado à sua rotina. Como ajustar estrutura, nível de detalhe e regras de omissão está em Como personalizar a transcrição e a evolução médica com IA.
5. Outras aplicações ao redor do atendimento
A documentação é a tarefa que se repete em toda consulta, mas não é a única em que a IA aparece. Outras ferramentas, também chamadas de assistentes médicos, atuam em etapas diferentes:
- antes da consulta: triagem de sintomas e organização do histórico;
- entre as consultas: lembretes de medicação, acompanhamento de sintomas e respostas a dúvidas do(a) paciente;
- na agenda: marcação, confirmação e lembretes de consulta;
- no raciocínio clínico: sugestão de hipóteses diagnósticas e busca de evidência científica (as IAs gratuitas para cada tarefa), sempre como apoio à sua avaliação.
Quando a IA fala diretamente com o(a) paciente, o cuidado precisa ser maior: a Resolução CFM nº 2.454/2026 veda delegar à IA a comunicação de diagnósticos, prognósticos ou decisões terapêuticas sem mediação humana (art. 5º, § 2º).
Este artigo se concentra na documentação da consulta, que é onde o assistente com IA entra em todo atendimento e é também o foco do Vokkari.
Como funciona um assistente médico com IA?
Apesar das diferenças entre ferramentas, o processo geralmente segue uma sequência parecida.
1. A consulta é registrada
O primeiro passo é capturar o áudio da consulta.
Você conversa com o(a) paciente normalmente, sem precisar ditar o que deve entrar no prontuário.
Dependendo da ferramenta, a gravação pode acontecer no celular, no computador ou diretamente no navegador.
No caso de uma consulta presencial, isso pode acontecer sem internet quando a ferramenta oferece gravação offline.
Antes de gravar, porém, existe uma etapa que não deve ser ignorada: informar o(a) paciente e seguir as regras aplicáveis ao tratamento desses dados.
2. A IA transforma áudio em texto
O sistema processa a gravação e identifica as diferentes falas.
A tecnologia de reconhecimento de voz transforma o áudio em uma transcrição.
É nessa etapa que aparecem alguns dos desafios técnicos mais importantes da categoria.
Nomes de medicamentos, doses, termos médicos, sotaques, ruído ambiente e fala rápida podem aumentar a possibilidade de erro.
Por isso, não basta perguntar se uma ferramenta “usa IA”.
É preciso avaliar a qualidade da transcrição no português brasileiro e, principalmente, no contexto real de uma consulta.
3. A IA organiza o conteúdo
Depois da transcrição, um modelo de inteligência artificial interpreta o texto e o organiza de acordo com as instruções recebidas.
Por exemplo, uma ferramenta pode receber a instrução de produzir:
Queixa principal → HDA → Antecedentes → Medicamentos → Exame físico → Avaliação → Conduta
Outra pode utilizar uma estrutura SOAP.
Outra pode seguir um modelo criado pelo(a) próprio(a) médico(a).
O modelo é importante porque determina não apenas o que será registrado, mas também como a informação será apresentada.
4. Você revisa
Essa é uma etapa indispensável.
A inteligência artificial pode interpretar incorretamente uma palavra, omitir uma informação ou até produzir uma informação que não foi dita.
Por isso, o texto gerado pela IA deve ser tratado como rascunho.
A revisão deve dar atenção especial a:
- medicamentos;
- dosagens;
- alergias;
- datas;
- resultados de exames;
- diagnósticos;
- condutas;
- orientações dadas ao(à) paciente.
Também existem informações que podem fazer parte do atendimento sem necessariamente aparecerem na conversa.
Um exame físico realizado em silêncio, por exemplo, precisa ser acrescentado por você, mesmo que não tenha sido verbalizado.
A IA registra o que aconteceu na conversa.
Ela não substitui aquilo que somente o profissional observou ou decidiu durante o atendimento. Os cuidados práticos para revisar sem perder o tempo economizado estão em Documentação clínica com IA: 5 boas práticas para melhorar o registro.
5. A consulta é finalizada
Depois da revisão, o registro pode ser finalizado e os documentos necessários podem ser preparados.
No Vokkari, por exemplo, a mesma consulta gera o registro organizado pela sua especialidade e os documentos clínicos relacionados ao atendimento. Ao finalizar, você copia o conteúdo completo da consulta para o seu sistema de prontuário com um clique.
A lógica é sempre a mesma:
a IA prepara; você revisa; você decide; você assina.
O que muda na prática para você
A principal mudança não é simplesmente escrever mais rápido.
É mudar quando a documentação acontece: perto da consulta, a partir da conversa, e não de memória no fim do dia.
Menos reconstrução da consulta
Existe uma diferença entre registrar uma consulta imediatamente e tentar reconstruí-la algumas horas depois.
Quanto mais tempo passa, maior a dependência da memória.
Uma ferramenta de documentação ambiente inverte essa lógica: o primeiro rascunho nasce da própria conversa, enquanto ela ainda está disponível.
Menos trabalho depois da agenda
Essa talvez seja a mudança mais importante.
A consulta acaba, você revisa o registro e segue para a próxima.
Em vez de acumular prontuários para preencher no final do dia, o trabalho de documentação passa a acontecer mais perto do momento em que o atendimento ocorreu.
É a diferença entre:
“Ainda tenho 12 prontuários para preencher.”
e
“Essa consulta já está pronta para eu revisar.”
O que muda para o(a) paciente
O assistente com IA é uma ferramenta para quem atende, mas boa parte do que ele devolve chega ao(à) paciente.
Menos tela entre vocês
Quando você não precisa digitar cada informação enquanto conversa, pode manter mais atenção no(a) paciente.
Isso não significa abandonar o prontuário ou nunca mais utilizar o computador durante a consulta.
Significa que a documentação deixa de competir tanto com a conversa.
É também o que os primeiros relatos mostram: na implantação de IA ambiente do The Permanente Medical Group, houve relatos de interações mais pessoais com os pacientes (Tierney et al., NEJM Catalyst, 2024). Para quem está do outro lado da mesa, isso significa ser olhado(a) enquanto fala, e não ouvir o teclado.
Um registro que reflete a consulta inteira
Como o ponto de partida é a conversa, o prontuário passa a refletir o que foi dito, e não apenas o resumo que coube no tempo de digitar. A queixa nas palavras do(a) paciente, o medicamento mencionado de passagem e a dúvida que surgiu no fim da consulta ficam registrados.
Depois da sua revisão, esse registro serve a quem vier depois: você mesmo(a) no retorno, o(a) colega que recebe o encaminhamento ou outro profissional da equipe. Informação completa é continuidade do cuidado.
Documentos prontos antes de ir embora
Quando a ferramenta prepara os documentos a partir da mesma conversa, receita, atestado e pedido de exames podem ser revisados e entregues ainda no fim do atendimento: digitados, legíveis, com o seu cabeçalho e o seu CRM, impressos ou enviados por WhatsApp ou e-mail.
O(a) paciente sai com o que precisa, e não com a promessa de que o relatório “fica pronto amanhã”.
Um(a) médico(a) menos sobrecarregado(a)
A documentação que vai para casa não pesa só sobre quem atende. A carga administrativa é uma das causas mais consistentes do burnout médico no Brasil, e é justamente a parte que o assistente com IA ajuda a reduzir.
Quem termina o dia com menos prontuário pendente chega à próxima consulta com mais disponibilidade para ouvir.
Um assistente médico com IA pode substituir o(a) médico(a)?
Não.
E essa distinção é fundamental.
Um assistente médico com IA deve ser entendido como uma ferramenta de apoio, não como um profissional autônomo.
A IA pode:
- transcrever;
- organizar;
- resumir;
- preparar um rascunho;
- sugerir uma estrutura;
- sugerir hipóteses para a sua avaliação;
- gerar documentos para revisão.
A IA não deve assumir a responsabilidade do(a) médico(a) por:
- diagnosticar;
- decidir a conduta;
- prescrever;
- comunicar decisões clínicas ao(à) paciente sem mediação profissional;
- validar automaticamente o próprio conteúdo.
A Resolução CFM nº 2.454/2026 reforça exatamente esse princípio: a IA deve ser utilizada exclusivamente como ferramenta de apoio, enquanto a responsabilidade final pelas decisões clínicas, diagnósticas, terapêuticas e prognósticas permanece com o(a) médico(a) (art. 4º, I). A análise completa da norma está em Inteligência artificial na área médica: implicações da Resolução CFM nº 2.454/2026.
Por isso, uma boa ferramenta não tenta esconder a participação da IA.
Ela deixa claro que o conteúdo precisa ser revisado.
E a segurança dos dados?
Esse é provavelmente o ponto mais importante para qualquer médico(a) que esteja considerando utilizar IA na consulta.
Uma conversa médica não é um áudio comum.
Ela pode conter nome, histórico, diagnóstico, medicamentos, exames, informações sobre saúde e outros dados pessoais sensíveis.
Por isso, antes de escolher uma ferramenta, vale fazer perguntas muito concretas:
- Onde os áudios são armazenados?
- Quando o áudio é apagado, e o que continua guardado?
- As transcrições são armazenadas?
- Os dados são utilizados para treinar modelos?
- Quem são os subprocessadores?
- Como os dados são protegidos durante a transmissão?
- O fornecedor possui políticas claras de privacidade e segurança?
A Resolução CFM nº 2.454/2026 também estabelece requisitos relacionados à segurança da informação e ao tratamento de dados pessoais no uso de IA na medicina: é vedado usar sistemas que não garantam padrões mínimos de segurança da informação compatíveis com dados pessoais sensíveis (art. 6º, § 3º).
Não é suficiente uma ferramenta dizer que é “inteligente”.
Ela precisa ser adequada para lidar com informações médicas.
E essa é também a pergunta que o(a) paciente pode fazer a você: o que acontece com a gravação depois da consulta? Ter a resposta pronta faz parte da confiança.
Preciso avisar o(a) paciente?
Sim.
O uso de gravação e inteligência artificial durante uma consulta precisa ser tratado com transparência.
O(a) paciente deve ser informado(a) sobre o uso da tecnologia e, nas situações previstas pela regulamentação, sua recusa deve ser respeitada (Resolução CFM nº 2.454/2026, art. 5º, §§ 1º e 3º).
Na prática, o processo pode ser simples.
Antes de iniciar a gravação, você pode explicar que utiliza uma ferramenta para registrar e organizar a conversa e informar o que acontece com o áudio.
Se o(a) paciente não concordar, a consulta continua normalmente, utilizando o método tradicional de documentação.
Como pedir e registrar o consentimento, com um modelo de termo, está em Gravar consulta médica com IA é permitido?
O objetivo da tecnologia é reduzir o trabalho administrativo, não criar uma barreira entre você e o(a) paciente.
O que procurar ao escolher um assistente médico com IA?
Existem muitas ferramentas que se apresentam como assistentes médicos.
Nem todas resolvem o mesmo problema.
Antes de escolher, vale avaliar pelo menos estes critérios:
1. Português brasileiro
A ferramenta entende sotaques, termos médicos, nomes de medicamentos e dosagens?
Teste com consultas reais antes de confiar na demonstração.
2. Qualidade da documentação
Ela entrega apenas uma transcrição ou transforma a conversa em uma evolução clínica utilizável?
Quanto mais próxima a primeira versão estiver do seu prontuário real, maior será a economia de tempo.
3. Modelos por especialidade
Um bom modelo para clínica médica pode não ser adequado para Psiquiatria, Pediatria ou Cardiologia.
Verifique se existem modelos específicos para sua área.
4. Personalização
Você consegue modificar a estrutura?
Pode adicionar ou remover seções?
Pode definir como determinadas informações devem aparecer?
A capacidade de personalização tende a fazer uma diferença enorme depois das primeiras semanas de uso.
5. Funcionamento offline
O que acontece se a internet cair durante a consulta?
Para quem atende em locais com conexão instável, a gravação offline pode ser uma diferença prática importante.
6. Documentos e prontuário
A ferramenta gera apenas a evolução ou também prepara receitas, atestados, pedidos de exames, relatórios e encaminhamentos?
Se você precisa digitar esses documentos depois da consulta, parte do trabalho administrativo continua existindo.
E como o texto chega ao seu prontuário? A ferramenta funciona ao lado do sistema que você já usa ou exige trocar de sistema?
7. Privacidade
Descubra o que acontece com seus áudios e transcrições.
Não aceite respostas genéricas como “seus dados estão seguros”. Procure entender como os dados são armazenados, processados, protegidos e excluídos.
8. Revisão
A ferramenta facilita a comparação entre o texto produzido e o que realmente aconteceu na consulta?
A revisão precisa ser simples o suficiente para não devolver o trabalho que a IA deveria ter eliminado.
O comparativo das principais ferramentas do mercado brasileiro, com critérios como esses aplicados a cada uma, está em Melhor IA para médicos: o comparativo das IAs de transcrição.
E o Vokkari?
O Vokkari Med foi criado especificamente para esse problema.
Você conversa com o(a) paciente. O Vokkari grava a consulta, transcreve a conversa e gera documentação personalizada por especialidade, com modelos prontos para 55+ especialidades reconhecidas pelo CFM.
Depois, você revisa.
A partir da mesma consulta, a IA também prepara os 9 documentos clínicos (receita, quatro tipos de atestado, solicitação de exames, parecer, relatório e encaminhamento), com o seu cabeçalho, CRM e logo, prontos para a sua revisão.
No plano Profissional, você também pode personalizar os modelos: copiar um modelo pronto ou criar o seu, com as seções, a ordem e as instruções que seguem a sua forma de trabalhar. Nos demais planos, você usa os modelos prontos da sua especialidade.
Cada nome de medicamento citado na consulta é conferido no registro da ANVISA antes de a consulta chegar à sua revisão. E, em todos os planos, a Opinião da IA traz uma hipótese diagnóstica independente, sempre com o aviso obrigatório de que precisa ser revisada por profissional.
No celular, a gravação é 100% offline, com fila de sincronização automática. Áudios e transcrições não são usados para treinar nenhum modelo de IA, e o áudio é apagado depois que você finaliza a revisão.
O princípio continua sendo o mesmo do início deste artigo:
a IA escreve o primeiro rascunho. A palavra final é sempre sua.
Você não precisa mudar a forma como atende para usar o Vokkari.
A ideia é justamente o contrário: fazer a tecnologia se adaptar à sua consulta.
O futuro do assistente médico não é substituir o(a) médico(a)
A discussão sobre inteligência artificial na medicina costuma começar pela pergunta errada:
“A IA vai substituir o(a) médico(a)?”
Para muitas das tarefas que já estão sendo automatizadas, a pergunta mais útil é outra:
“Por que o(a) médico(a) ainda precisa fazer isso manualmente?”
Digitar uma conversa que acabou de acontecer é uma dessas tarefas.
Organizar novamente as mesmas informações em um relatório é outra.
Copiar dados de uma evolução para um encaminhamento também.
Essas tarefas consomem tempo, mas não são o motivo pelo qual o(a) paciente está no consultório.
A função de um assistente médico com IA não deveria ser tomar o lugar do profissional.
Deveria ser devolver ao profissional o tempo que nunca deveria ter sido consumido por tarefas repetitivas.
A tecnologia pode escrever.
Pode organizar.
Pode preparar.
Mas ouvir o(a) paciente, examinar, raciocinar, decidir e assumir a responsabilidade pelo cuidado continuam sendo tarefas do(a) médico(a).
A IA cuida da documentação. Você cuida do(a) paciente.
Comece com as suas próprias consultas
A melhor maneira de descobrir se um assistente médico com IA funciona para você não é assistir a uma demonstração.
É testar com as suas próprias consultas.
Com o seu sotaque, os seus pacientes, os seus medicamentos, o seu ritmo de atendimento e a estrutura de prontuário que você realmente utiliza.
O plano Gratuito do Vokkari inclui 5 horas de gravação, sem cartão de crédito e sem prazo para usar.
Você grava, revisa a transcrição, experimenta os modelos da sua especialidade, gera os documentos (com marca d’água no plano gratuito) e decide com base no que acontece na sua própria rotina.
Porque, no fim, o melhor assistente médico com IA não é aquele que promete fazer tudo.
É aquele que faz bem aquilo que você mais precisa deixar de fazer.
Referências
- Sinsky C, Colligan L, Li L, et al. Allocation of physician time in ambulatory practice: a time and motion study in 4 specialties. Ann Intern Med. 2016;165(11):753-760. doi:10.7326/M16-0961. Disponível em: https://doi.org/10.7326/M16-0961
- Rotenstein L, Melnick ER, Iannaccone C, et al. Virtual scribes and physician time spent on electronic health records. JAMA Netw Open. 2024;7(5):e2413140. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.13140. Disponível em: https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2024.13140
- Tierney AA, Gayre G, Hoberman B, et al. Ambient artificial intelligence scribes to alleviate the burden of clinical documentation. NEJM Catalyst. 2024;5(3). doi:10.1056/CAT.23.0404. Disponível em: https://doi.org/10.1056/CAT.23.0404
- Tierney AA, Gayre G, Hoberman B, et al. Ambient artificial intelligence scribes: learnings after 1 year and over 2.5 million uses. NEJM Catalyst. 2025;6(5). doi:10.1056/CAT.25.0040. Disponível em: https://doi.org/10.1056/CAT.25.0040
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.454, de 11 de fevereiro de 2026. Normatiza o uso da inteligência artificial na medicina. Diário Oficial da União, Brasília, 27 fev 2026, ed. 39, seção 1, p. 158; retificação em 5 mar 2026, ed. 43, seção 1, p. 91. Arts. 4º, 5º e 6º. Disponível em: https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2026/2454
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes.
-
Assistente médico com IA é o mesmo que transcrição de consulta com IA?
Não exatamente. Assistente médico com IA é o nome mais amplo, para qualquer ferramenta que use IA para tirar trabalho administrativo e documental da rotina do(a) médico(a). A transcrição de consulta com IA, também chamada de escriba médico com IA ou AI medical scribe, é a aplicação mais conhecida da categoria: grava a conversa, transcreve e organiza o registro clínico para a sua revisão.
-
Um assistente médico com IA pode dar diagnóstico?
Pode sugerir, não decidir. Algumas ferramentas oferecem uma hipótese diagnóstica gerada a partir da conversa, como a Opinião da IA do Vokkari Med, que aparece sempre com o aviso de que precisa ser revisada e validada por profissional. A Resolução CFM 2.454/2026 determina que a IA seja usada exclusivamente como ferramenta de apoio e que a responsabilidade final pelas decisões clínicas, diagnósticas e terapêuticas continue com o(a) médico(a).
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Preciso avisar o(a) paciente de que uso um assistente com IA?
Sim. A Resolução CFM 2.454/2026 exige que o(a) paciente seja informado(a) de forma clara quando a IA é usada como apoio relevante no atendimento e reconhece o direito de recusa. Uma frase antes de gravar resolve. Se o(a) paciente não concordar, a consulta segue normalmente, com a documentação tradicional.
-
O Vokkari usa os áudios das consultas para treinar IA?
Não. Áudios e transcrições são processados apenas para gerar a sua documentação e não são usados para treinar nenhum modelo de IA. O áudio da consulta é apagado depois que você finaliza a revisão, e o texto revisado passa a ser o registro.
-
Existe assistente médico com IA gratuito?
Existe, com limite. O plano Gratuito do Vokkari Med inclui 5 horas de gravação que não expiram, sem cartão de crédito, com a consulta organizada pela sua especialidade e os documentos clínicos gerados com marca d'água. É o suficiente para testar a ferramenta nas suas próprias consultas antes de decidir.
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