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Pajama time: o trabalho após a agenda

Você atende. O Vokkari transcreve e documenta.

Crie sua conta grátis, e devolva à consulta o que a digitação rouba: a sua atenção. Cada mês sem o Vokkari custa 24 horas da sua vida: tempo que você dedica, todo mês, para digitar o que já disse em voz alta.

Neste artigo
  1. Quando o consultório vai para casa
  2. Não é só falta de organização
  3. A outra opção é digitar enquanto o paciente fala
  4. E se o médico não precisasse começar do zero?
  5. Recuperar tempo não precisa significar atender mais
  6. Pijama é roupa de descanso
  7. Referências

A última consulta terminou. O consultório esvaziou, o telefone parou de tocar e você já está em casa.

O expediente acabou, pelo menos oficialmente.

Depois do jantar, porém, aquela lembrança surge: puts, ainda faltam preencher duas evoluções, ou alguns laudos pendentes ou um caso para revisar. Tem uma receita para conferir, um relatório pela metade, e por aí vai…

Você abre o notebook, seja no escritório ou no sofá, muitas vezes já de pijama.

É daí que vem a expressão pajama time: o tempo que médicos e outros profissionais de saúde passam fora do expediente concluindo prontuários e resolvendo tarefas administrativas que não finalizaram no dia de trabalho.

O nome parece engraçado, a rotina, nem tanto.

Quando o consultório vai para casa

Algumas situações não podem esperar, mas preencher documentos à noite não deveria fazer parte dessa lista.

Aquela tela clara ligada, o estresse de encarar mais uma sequência de pendências e a cabeça ainda presa no trabalho não combinam muito com a higiene do sono que orientamos aos pacientes com tanto afinco.

O problema é quando trabalhar após o expediente deixa de ser uma exceção, nos acostumamos, e chega um ponto em que trabalhar em casa até parece uma boa ideia para evitar uma bola de neve (ou de papel hehehe).

E num determinado momento, o momento em família, da academia, estudos ou de ficar deitado no sofá, é sacrificado.

Você está em casa, mas uma parte de você ainda está no consultório.

Não é só falta de organização

Muitas vezes, a primeira reação é achar que o problema é falta de organização. Tentamos encaixar os prontuários nos intervalos, usamos modelos mais curtos, prometemos não acumular. Ajustamos uma coisa aqui, outra ali, mas o resultado costuma ser parecido.

Em um levantamento internacional da Medscape, cerca de metade dos médicos relatou gastar entre 10 e 24 horas por semana com burocracia e tarefas administrativas. No Brasil, 27% dos participantes informaram dedicar mais de 25 horas semanais a esse tipo de trabalho.¹

Os números brasileiros de burnout, com as fontes, estão em Burnout médico no Brasil.

Outro estudo, realizado em consultórios de quatro especialidades nos Estados Unidos, mostrou que os médicos dedicavam aproximadamente 27% do tempo ao contato direto com pacientes e 49% ao prontuário eletrônico e a outras atividades administrativas. Entre aqueles que também registraram o trabalho fora do consultório, foram relatadas mais uma a duas horas de trabalho noturno, principalmente com tarefas relacionadas ao prontuário.²

Os números não podem ser transportados automaticamente para toda a realidade brasileira, mas a sensação é bastante conhecida por aqui.

Portanto, o pajama time não é apenas um problema de produtividade individual. Também é consequência de um modelo no qual a quantidade de trabalho administrativo nem sempre cabe dentro do tempo reservado ao atendimento.

A outra opção é digitar enquanto o paciente fala

Para não levar o prontuário para casa, muitos médicos tentam concluir toda a documentação durante a própria consulta, o que funciona até certo ponto.

O problema é que paciente e computador passam a disputar atenção. Enquanto alguém conta uma história que pode ser difícil, íntima ou longa, precisamos decidir entre manter o contato visual ou registrar os detalhes antes que sejam esquecidos.

Quem nunca soltou um “pode continuar, estou ouvindo” enquanto digitava uma frase no prontuário?

Na maioria das vezes, o examinador realmente está ouvindo, mas a experiência do paciente pode ser outra. Uma conversa mediada por uma tela não tem a mesma presença de uma conversa olho no olho.

Isso não diminui a importância do prontuário. O registro clínico é parte fundamental do cuidado, garante continuidade assistencial e documenta o raciocínio e as decisões tomadas. A questão é outra: quanto da consulta precisa ser consumido pela tarefa de escrever?

E se o médico não precisasse começar do zero?

Boa parte do trabalho noturno não é, propriamente, tomar decisões. É reconstruir algo que já aconteceu.

É lembrar a sequência dos sintomas, recuperar os antecedentes mencionados, organizar resultados e transformar uma conversa de vinte ou trinta minutos em um documento claro e coerente.

É justamente aí que a inteligência artificial pode ajudar.

A proposta não é deixar a máquina atender, raciocinar ou decidir pelo médico. Também não é gerar um prontuário e assiná-lo sem conferir. A responsabilidade pela documentação continua sendo do profissional.

A diferença é não precisar começar com uma tela em branco.

Se a consulta foi transcrita e organizada em uma primeira versão, o médico pode concentrar seu tempo no que realmente depende dele: conferir se o conteúdo está fiel, corrigir eventuais erros, ajustar o raciocínio clínico e validar a conduta.

Um estudo com 144 médicos encontrou redução do tempo total no prontuário, do tempo gasto com as anotações e também do pajama time após a adoção de escribas virtuais. A tecnologia não eliminou a necessidade de revisão, mas reduziu o trabalho de transformar a consulta em texto.³

Recuperar tempo não precisa significar atender mais

Existe uma tendência curiosa, que é: sempre que uma tecnologia economiza alguns minutos, logo pensamos em como preencher esse tempo com mais trabalho.

Se sobraram dez ou quinze minutos, talvez caiba outro paciente. Se preencher o prontuário ficou pronto mais rápido, talvez dê para abrir mais um encaixe.

Mas o tempo recuperado não precisa ser imediatamente devolvido à produtividade.

Ele também pode servir para ouvir o paciente com mais calma, explicar melhor uma conduta e até terminar o expediente no horário.

Essa é a ideia por trás do Vokkari Med: usar a IA para reduzir a parte repetitiva da documentação, sem tirar do médico o controle sobre aquilo que foi registrado.

No aplicativo ou na versão web, a consulta é gravada, transcrita e organizada em um modelo clínico adequado à especialidade. Os modelos podem ser ajustados para se aproximar ainda mais da rotina de cada profissional. E receitas, atestados e outros documentos da consulta podem ser gerados a partir do conteúdo registrado, sem a necessidade de recomeçar tudo do zero.

O médico continua conduzindo a consulta, construindo o raciocínio, tomando decisões, revisando e validando o documento. O Vokkari ajuda a organizar o que foi conversado para que o profissional não precise reconstruir tudo mais tarde.

Não se trata de fazer medicina mais depressa. Trata-se de tornar a rotina um pouco mais humana e de devolver tempo a profissionais que se dedicaram anos à formação médica — e não para passar mais de 25 horas por semana preenchendo papelada.

Pijama é roupa de descanso

O pajama time se tornou tão frequente que quase parece uma característica inevitável da profissão. Como se terminar prontuários à noite fosse simplesmente parte do pacote.

Não precisa ser.

A tecnologia não vai resolver, sozinha, todos os problemas da rotina médica. Também não fará desaparecer a burocracia nem transformará toda consulta em um processo perfeito.

Mas ela pode ajudar a evitar que uma parte tão grande do trabalho acompanhe o médico até em casa.

O prontuário é importante. A revisão médica é indispensável. O descanso também.

E pijama deveria voltar a ser apenas pijama.

Referências

  1. Kane L, Schubsky B. International physician compensation report 2021: do US doctors have it best? Medscape. 2021 Aug 20 [cited 2026 Jul 29]. Available from: https://www.medscape.com/slideshow/2021-international-compensation-report-6014239
  2. Sinsky C, Colligan L, Li L, Prgomet M, Reynolds S, Goeders L, et al. Allocation of physician time in ambulatory practice: a time and motion study in 4 specialties. Ann Intern Med. 2016;165(11):753-60. doi:10.7326/M16-0961.
  3. Rotenstein LS, Melnick ER, Iannaccone C, et al. Virtual scribes and physician time spent on electronic health records. JAMA Netw Open. 2024;7(5). doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.13140.